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Um breve resumo dos principais estudos sobre o assunto.


A creatina é uma substância natural produzida pelo corpo humano, que é importante para a produção de energia em músculos e células do cérebro. Embora a creatina seja mais conhecida por sua capacidade de melhorar o desempenho em atividades físicas intensas, ela também pode ter benefícios para a saúde em idosos.


Um estudo publicado em 2003 na revista "The Journals of Gerontology" mostrou que a suplementação de creatina em idosos saudáveis pode aumentar a massa muscular e a força. Outro estudo publicado em 2007 na revista "Journal of Nutrition, Health and Aging" mostrou que a suplementação de creatina em idosos frágeis pode melhorar a força muscular e a função física. Até aqui nenhuma novidade. Porém outros estudos relacionando o uso da creatina e funções cognitivas são bastante promissores, mostrando que a suplementação desse nutriente pode ter benefícios para a saúde cerebral de idosos.


Um estudo publicado em 2010 na revista "Annals of Neurology" teve como objetivo avaliar o efeito da suplementação de creatina na função cognitiva em idosos saudáveis. Foram selecionados 67 participantes, com idades entre 50 e 80 anos, que foram randomizados para receber creatina ou placebo por seis semanas.

Os resultados mostraram que os participantes que receberam creatina tiveram melhorias significativas na memória de curto prazo e na função cognitiva geral, em comparação com o grupo placebo.


Além disso, os participantes que receberam creatina também tiveram melhorias significativas na concentração de fosfocreatina (um indicador da disponibilidade de energia) no cérebro.

Os autores concluíram que a suplementação de creatina pode ser uma estratégia promissora para melhorar a função cognitiva em idosos saudáveis. No entanto, eles ressaltaram a necessidade de estudos adicionais para avaliar os efeitos da suplementação de creatina em populações mais amplas e em longo prazo.


Outro estudo publicado em 2015 na revista "Journal of Alzheimer's Disease" mostrou que a suplementação de creatina em camundongos com doença de Alzheimer induzida reduziu a formação de placas beta-amiloide, que são uma característica da doença de Alzheimer. Além disso, a suplementação de creatina também melhorou a função cognitiva e reduziu a inflamação cerebral nos camundongos.


Já outro estudo publicado em 2019 na revista "Molecular and Cellular Neuroscience" teve como objetivo avaliar o efeito da suplementação de creatina na proteção das células cerebrais contra o estresse oxidativo e morte celular induzida pela proteína beta-amiloide, que é uma característica da doença de Alzheimer.


Os resultados mostraram que a suplementação de creatina reduziu significativamente o estresse oxidativo e a morte celular em células cerebrais cultivadas em laboratório que foram expostas à proteína beta-amiloide. Além disso, a suplementação de creatina também melhorou a expressão de genes relacionados à proteção das células cerebrais e à função mitocondrial (a fonte de energia das células).


Os autores concluíram que a creatina pode ter um efeito neuroprotetor contra a doença de Alzheimer e que a suplementação de creatina pode ser uma terapia potencial para prevenir ou tratar a doença. No entanto, eles ressaltaram a necessidade de mais pesquisas em humanos para determinar a eficácia e segurança da suplementação de creatina em pacientes com doença de Alzheimer.


É evidente que serão necessários outros estudos com humanos afim de comprovar tais efeitos, porém os resultados são promissores, e considerando os possíveis efeitos colaterais da suplementação de creatina, considero que seu uso deve ser extremamente recomendado para os idosos.